Resumo do Livro Massamba

 Resumo do livro Massamba, de Marigan (Manuel Adriano Paulo), vencedor do Prémio Literário Sagrada Esperança em 2014, publicado pelo INIC (Instituto Nacional das Indústrias Culturais)

Em noite misteriosa Mwene Nzadi copulou com Kalembe, sem que ela percebesse, e esta concebeu. Assustada, Kalembe acorda pela noite e chama pelo pai, o velho Buaza. Preocupado, este dirige-se até a cabana da filha, mas esta disfarça dizendo que havia tido apenas um mal sonho.

Na manhã seguinte ela tem um encontro especial com Mwene Nzadi e uma senhora velhinha seguida por muitos cães, na lagoa grande. Desmaiada, as amigas a encontram deitava ao chão e levam-na até a aldeia. Com a ajuda da velha Kassande, descobriu-se que ela havia sido escolhida para ser a sacerdotisa de Cambombo, uma pequena aldeia na comuna de Kabala, sua terra natal.

Noves meses depois, na altura do nascimento da menina, Kalembe estava para dar a luz, mas não estava bem. Kalembe orientou o pai a ir a grande lagoa para receber instruções da divindade das sereias, Mwene Nzadi. Encontrou-se com a velha que era seguida pelos cães e pediu-lhe que o acompanhasse para ajudar no parto da filha, e assim foi. Kalembe deu à luz uma menina, a quem denominou Massamba.

No dia seguinte Kalembe foi consagrada como sacerdotisa da aldeia. Três dias após o nascimento da Massamba, ela foi levada até a lagoa grande para ser recebida e consagrada a Mwene Nzadi. Após este rito, choveu fortemente durante dois dias, sendo as manifestações sobrenaturais de que Kalembe fora aceita como a nova sacerdotisa da aldeia.

Quando Massamba já estava feita uma mulher, deitada sobre a cama, Kalembe a chamou e fez-lhe jurar que honraria a si mesma, a família e os costumes da terra, pois breves acontecimentos teriam lugar com seu crescimento. Depois de passar algumas orientações à filha, Kalembe morre e, então, abate-se uma profunda chuvas com presença de muitos relâmpagos, mas a chuva só caía na direcção da velhinha que era seguida pelos cães, o que pareceu aos aldeões bruxaria.

Depois de sete dias de forte chuva, a aldeia ficou despedaçada. Quase tudo foi arrastado pela águas pluviométricas.

Depois de saber que seu filho Chico Diabele queria enamorar-se de Lemba, filha do soba Ngilambole, velha Ximinha e velho Dilele discordaram por ela ser uma imoral e decidiram conversar com a família da jovem Massamba, que parecia uma melhor proposta. No dia seguinte foram a casa do velho Buaza apresentaram o desejo que os levou até lá. Mas velho Buaza apenas deu-lhes uma caixa com alguns objectos para decifrarem o significado e, caso conseguissem, Diabele poderia casar-se com a virtuosa Massamba.

Alguns dias depois, abriram a caixa preta e viram alguns objectos forrados por um pano vermelho. Havia uma crista de galo, uma pedra, uma folha, um saco de carvão, quatro galhos e uma moeda. Depois de decifrar erradamente os significados dos objectos, no dia seguinte, foram a Lagoa Grande como recomendou velho Buaza.

Vendo tudo estranho, a família, acompanhada pelo Lubano, irmão de velha Ximinha, não queriam aproximar-se do matagal, mas Diabele agiu corajosamente e entrou na zona proibida, viu a árvore branca, os galos lutando e apareceu-lhe uma velha muito suja, cheia de ferimentos, sem dentes e a sangrar nas gengivas. A mesma lhe pediu água e segurou-o pelas mãos, mas este sentiu arrepiado e impediu-a abruptamente e a velha caiu na lagoa verde. 

Assustado, tentou fugir, mas encontrou-se com um homem grande e alto, vestido de peles de animais e um facão enferrujado. Tentando despistar o estranho homem, separou-se com um velho nu e que parecia louco. Ajoelhou-se e suplicou pela vida e tentou entregar os materiais que carregava consigo e mais dez mil kwanzas. Foi advertido que Mwene Nzadi jamais aceitaria tal insignificância pela Massamba, sua protegida e que o lugar pertencia a Mwene Kazumbi ya mala, a divindade do mal, por isso ele devia morrer. 

O homem portentoso levantou as mãos para desferir um golpe, mas foi impedido pelo velho louco e nu, alegando o direito de possessão de Chico Diabele e, enquanto estes contendiam, Diabele aproveitou fugir. Os homens seguiram-no e a família ao avistar a cena, também colocaram-se em fuga sem pensar duas vezes. Foram à casa do velho Buaza e acusaram-no de feitiçaria, o que gerou tremendo alvoroço entre a plebe nas cercanias.

Depois de receber algumas explicações do avô sobre as últimas ocorrências, Massamba, na meia-noite, saiu da cubata e dirigiu-se a Lagoa Grande para resolver o mistério da caixa preta. Ao verem a árvore branca, acariciou seu caule e depositou nele os galhos. A árvore transformou-se numa mulher vestida de branco. Era Kassanji, protectora da natureza e dos lagos. Recebeu a explicação sobre o conflito entre Mwene Nzadi e Mwene Kazumbi ya mala e como a atitude do seu povo fortaleciam um ou outro no conflito e que ela ajudaria a eliminar a malvadeza deles para que a aldeia não fosse destruída ou domina por Kazumbi e, por fim, recebeu também uma cabaça mágica e avançou em seu caminho.

Ao ver os dois galos, tirou a crista da caixa e colocou sobre a cabeça do galo que a tinha em falta e este mostrou-lhe o caminho por onde passar. Ao ver a velha mal cheirosa e cheia de ferimentos, apoderou-se dela e mergulhou a cabaça no lago e deu de beber à velha mulher que, revigorada, tirou a folha da caixa e, depois de pisadas, colocou-a nas feridas. Ao terminar os cuidados para com a velha, está revelou-se ser a Milagrosa, a diva da esperança e receptora das preces dirigidas à Mwene Nzadi.

Depois encontrou-se com o enorme homem que tentou atacar-lhe, Massamba tirou a pedra da caixa e deu-lhe para afiar o seu facão. Ao afiá-lo, resplandeceu e fez uma estatueta para Massamba. Era o Artesão de Mwene Nzadi. Ao revirar, depois do desaparecimento súbito de artesão, viu o velho louco e nu, o mesmo que julgará que Diabele fosse sua boneca. Massamba deu-lhe a estatueta de madeira e a mesma tornou-se em um ser angelical, conhecido como Dikumbi, a diva da clarividência.

Aproximando-se do lago, lançou sobre ele a moeda e apareceu um ser desfigurado. Era o barqueiro e a moeda que Massamba jogou sobre o lago era o pagamento e foi levada em direcção a mafumeira no meio do lago. De lá apareceu Kazumbi ya mala e desencadeou-se uma cena de luta entre os dois. Porém, Massamba abriu a caixa e dela saiu uma luz que engoliu Kazumbi ya mala e explodiu no ar, fazendo com o que o arrepiante lugar se tornasse numa terra paradisíaca.

Então, Kalembe aparece parabenizando a filha Massamba e explica-lhe que velho Buaza, a senhora seguida pelos cães bem como suas amigos, forma submetidos a um julgamento injusto e, por isso, a medida da maldade dos aldeões chegou ao seu limite e eles foram destruídos por Mwene Nzadi através de uma forte chuva que destruiu por completo a aldeia. Apenas algumas crianças e outros aldeões, velho Buaza, Carmita, Madalena, Thamba-Lá e a velha Kassande  se salvaram, embora sem saber onde estava Massamba naquela altura.



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